Zapeando
 

Aquele com o Diário

 

Maio, 20

Unidades alcoólicas: nenhuma

Peso: 60 kg, mais um copo de Fanta e um pão francês

Apaixonites: não sei julgar o número

Aniversários:  22º

 

Talvez nunca tenha acordado tão vagarosamente quanto hoje. Antes de abrir os olhos ou mexer qualquer parte do meu corpo entrei num estranho processo de rememoração. Imagens rápidas, desfocadas e sem o brilho de outrora compunham algumas recordações.  Entretanto, a ausência de cores já não incomodava, sua imagem turva não mais me perturbava e suas palavras se perdiam em meio ao negro que saía dos meus olhos. Neste exato momento, meu corpo todo se anestesiava ao mesmo tempo em que sentia o vazio se petrificar.

Meu único pecado foi o excesso do desejo. Personifiquei a luxúria em um único ser. Assombrei-me com o fantasma da sua ausência e me prendi no êxtase das palavras tortas que saiam não só de uma, mas de várias bocas. A purgação das paixões me perseguia e junto com ela o cavaleiro montado no cavalo da solidão. E é exatamente ai, que abro os olhos e a primeira coisa que vejo é o teto e as mesmas e velhas paredes de todos os dias. Confesso que certa inquietação tomou conta de mim. Assim, como também a alegria de encontrar-me ali, sozinho, quase nu com as minhas especulações.

            Talvez tenha aprendido a sobreviver aos dissabores da vida. Talvez já nem sinta o forte gosto amargo da decepção. Talvez eu até goste de ver só a minha imagem refletida no meu enorme espelho. Provavelmente, as minhas paredes sejam tão boas companhias, que até me fizeram esquecer a textura da sua pele. Pode ser que o negro que saía dos meus olhos existisse para que eu pudesse expelir toda uma gama de cores e brilhar. Brilhar até que o meu brilho te faça parar e me olhar ou, ainda, te faça perceber quantas cores eu posso oferecer.

            Eu sou muito mais que os seus olhos podem ver. Sou mais que um dia você conseguirá tocar. Contudo, posso ser mais fugaz que o tempo de cicatrização das suas feridas. E aí está a beleza do efêmero. O artificial se esvai e o que há de realmente belo permanece. Assim como as minhas paredes, o meu teto e o meu enorme espelho.

 



Escrito por Thiago Andrade às 18h31
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Homenagem

 

        

            É de extrema delicadeza a homenagem que eu recebi da minha querida amiga Lili e quero compartilhá-la com vocês.

 



Escrito por Thiago Andrade às 18h25
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BRASIL, Sudeste, Homem, de 20 a 25 anos



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