Zapeando
 

Um hoje medíocre

 

Sabe aqueles dias em que você acorda e nada faz sentido? Você percebe que vive num mundinho medíocre, com pessoas medíocres, um cachorro medíocre e uma vida sexual medíocre. E no meio de tanta mediocridade você se olha no espelho e vê a imagem nítida de seus desamores e dissabores. E deixa escorrer uma lágrima, que escorre por todo o seu corpo nu, repetindo os movimentos da mão de alguém que conheceu na noite anterior. Daí você realmente começa a chorar, como que num impulso de morte. E sorri, ajeitando o cabelo pensa: hoje o dia vai ser melhor. E como num ritual sagrado vai vagarosamente fechando cada botão de sua roupa e repassa de memória suas atividades diárias.

É um bom dia aqui e outro acolá. São vários apertos de mãos, abraços e três beijinhos. Assim que entra em sua sala, liga o computador, que demora... Aqueles minutos intermináveis são o suficiente para alguns flashbacks. Logo depois, viva a internet e as suas maravilhas! Suas fantásticas ferramentas de relacionamento permitem que de alguma forma encontre pessoas que estão em pior situação. Ou, ainda, te faz aventurar fantasiosamente em um namoro virtual. Então, mais uma vez você pára. Pensa que sua própria mão não seria o suficiente para suprir sua carência e, definitivamente, brinquedos eróticos não são uma possibilidade.

No meio da tarde, já sobrecarregado e desiludido pela inviabilidade de um relacionamento à distância você toma o seu café. E deixa o tempo passar, apreciando cada momento em que você se sente o predador. Você come e não é comido e pode ter certeza, muita gente fica triste ao pensar nisto. Enfim, são quase seis horas, os minutos passam vagarosamente ou começam a retroceder. Você recorre ao seu milésimo pensamento do dia, como que querendo fugir para um mundo mais colorido, típico de propaganda de cerveja. O desgaste já começa a pesar. Um retoque aqui, uma penteada ali e pronto. Você caminha mais rápido em direção a saída.

A noite promete. Mais um encontro, mais uma aventura, mais uma esperança. E no fim você percebe que só foi mais um número acrescentado ao celular. Que ninguém vai te agradar exatamente da maneira que você quer. E que milhões de pessoas no mundo têm esse mesmo pensamento. E no banho, mais demorado que o habitual, você se dá conta de que vive da maneira que quer. Mesmo com as desilusões, leva a vida que sempre quis ter, faz a escolha que achar conveniente e dorme com a sensação de ser o mais poderoso dos seres humanos. O outro dia? Ah, o outro dia é novo e, com certeza, há de ser melhor.

 



Escrito por Thiago Andrade às 15h48
[] [envie esta mensagem] []


 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]  
 
 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Homem, de 20 a 25 anos



HISTÓRICO



OUTROS SITES
 Lúcia Hipólito
 Blônicas
 Querido Leitor
 Fernando Costa
 Máisa Capobiango
 Raquel Camargo
 Ame_li_e Poulain
 Blog da Mara Bianchetti
 Blog da Renata Cotta - Freneticidade
 Solilóquios
 Minha vida sem sexo
 Karina Alves
 Lorotas Verídicas
 Reticenciar e Recortar
 UOL - O melhor conteúdo


VOTAÇÃO
 Dê uma nota para meu blog!



 

http://www.uol.com.br